Certificados de Recebíveis: Uma Alternativa para Renda Fixa

Certificados de Recebíveis: Uma Alternativa para Renda Fixa

Os Certificados de Recebíveis (CR) surgiram como uma resposta inovadora à necessidade de modernização do mercado de crédito brasileiro. Lançados pela Medida Provisória 1103 de 2022, esses títulos oferecem aos investidores uma opção diversificada dentro do universo de renda fixa.

O que são Certificados de Recebíveis?

Certificados de Recebíveis são títulos de crédito emitidos exclusivamente por companhias securitizadoras e lastreados em direitos creditórios diversos, como duplicatas, cheques, contratos de financiamento e recebíveis de cartões de crédito.

Ao contrário de CRI (imobiliários) e CRA (agronegócio), os CR abrangem uma gama ampla de recebíveis sem restrição setorial, tornando-se uma alternativa versátil e dinâmica para quem busca rendimento consistente.

Origem e Regulamentação

Introduzidos em 2022 pela Lei da Securitização (MP 1103), os CRs chegaram para modernizar e simplificar o processo de captação de recursos no Brasil. Regidos por normas rígidas de auditoria e avaliação, contam com supervisão de órgãos competentes, garantindo segurança jurídica e transparência.

Diferente dos FIDCs, que seguem a Resolução CVM 175, os CRs apresentam estrutura mais simples e de baixo custo, pois exigem apenas os serviços de uma securitizadora para serem emitidos.

Como funciona o processo de securitização

  • Uma empresa originadora (como um varejista) vende seus recebíveis futuros a uma sociedade de crédito ou securitizadora, recebendo o valor à vista com desconto.
  • Essa securitizadora adquire os direitos creditórios e emite os Certificados de Recebíveis, que passam a ser negociáveis no mercado de capitais.
  • Investidores compram os CRs, tornando-se credores da securitizadora, que quita o principal e a rentabilidade conforme os devedores originais efetuam seus pagamentos.
  • Em regime fiduciário, os recebíveis ficam segregados do patrimônio da securitizadora, protegidos de eventuais credores.

Tipos de recebíveis e estrutura de rentabilidade

Os CRs podem ser prefixados, pós-fixados ou híbridos, conforme a remuneração escolhida. No modelo prefixado, a taxa é acordada antecipadamente; no pós-fixado, está atrelada a índices como CDI ou IPCA; e o híbrido combina ambos.

Geralmente, apresentam rentabilidade superior a títulos públicos, com prazos que variam de 2 a 15 anos e opções de pagamento periódicas ou no vencimento.

Vantagens e riscos para investidores

Entre os principais benefícios, destacam-se:

  • Liquidez imediata para emissores: transforma recebíveis futuros em caixa disponível.
  • Carteira diversificada de ativos, com baixa correlação com outros investimentos.
  • Possibilidade de parcerias via Credit as a Service, reduzindo custos operacionais.

Entretanto, existem riscos a considerar:

  • Risco de crédito: a securitizadora pode inadimplir sem cobertura do FGC.
  • Baixa liquidez secundária, dificultando a venda antecipada.
  • Oscilações de mercado podem afetar emissões pós-fixadas ou híbridas.

Comparação com outros títulos de renda fixa

Como investir em Certificados de Recebíveis

Para incluir CRs em sua carteira, siga estes passos:

  • Abra conta em uma corretora de valores habilitada.
  • Pesquise emissões disponíveis e avalie rating e lastro.
  • Analise prazo, rentabilidade e fluxo de pagamentos.
  • Realize a compra via home broker ou com auxílio de um assessor.
  • Acompanhe o desempenho e as informações periódicas da emissão.

Conclusão

Os Certificados de Recebíveis representam uma opção promissora e pouco explorada no cenário de renda fixa brasileiro pós-2022. Com estrutura simplificada, diversificação de lastros e potencial de rentabilidade atrativa, são uma ferramenta valiosa para investidores que buscam otimizar seu portfólio.

Ao compreender os riscos e as vantagens, você pode aproveitar essa inovação para conquistar maior segurança e retorno em seus investimentos de longo prazo.

Giovanni Medeiros

Sobre o Autor: Giovanni Medeiros

Giovanni Medeiros