Cibersegurança para Cripto: Evitando Golpes e Fraudes

Cibersegurança para Cripto: Evitando Golpes e Fraudes

Em 2025, foram roubados mais de US$ 3,4 bilhões em criptomoedas e registradas 231 ocorrências de violência física. Diante dessa realidade, entender como se proteger dos golpes e fraudes torna-se essencial para qualquer entusiasta ou investidor de criptoativos.

Estatísticas e Números-Chave

Desde 2015 até 2025, o roubo total de criptomoedas cresceu de forma alarmante, passando de US$ 25 milhões para US$ 3,4 bilhões, com um pico de 14.700% até 2022. Plataformas centralizadas, DeFi e hot wallets foram os alvos preferidos de hackers e grupos estatais.

Os principais incidentes históricos demonstram a vulnerabilidade do ecossistema:

Além disso, mais de 59.174 BTC e 4,1 milhões ETH foram roubados em incidentes desde 2010 e 2016, respectivamente, refletindo perdas acima de US$ 15 bilhões. Solana também sofreu ataques, com mais de US$ 750 milhões em saques entre 2022 e 2025.

Em 2024, hacks de plataformas somaram US$ 2,2 bilhões, dos quais 61% atribuídos ao grupo Lazarus, vinculado à Coreia do Norte. A lavagem de dinheiro via criptomoedas alcançou US$ 31 bilhões em 2022 e, apesar de declinar para US$ 9 bilhões em 2024, ainda representa uma ameaça global.

Principais Tipos de Golpes e Fraudes

  • Phishing e ransomware: ameaças clássicas em constante evolução, usando SMS falsos, apps fraudulentos e contratos maliciosos.
  • Exploração de vulnerabilidades: ataques a contratos DeFi não auditados e hot wallets, comprometimento de chaves privadas em 43,8% dos casos.
  • Fraudes de investimento: esquemas Ponzi, pig butchering e ofertas falsas prometendo altos retornos.
  • Ataques estatais: grupos patrocinados explorando DeFi e corretoras, como o Lazarus Group.
  • Sequestros e violência física: 231 incidentes entre 2022 e 2025, resultando em 6 mortes e US$ 166 milhões em perdas.

Cada uma dessas modalidades exige atenção redobrada e adoção de práticas de segurança robustas para mitigar riscos.

Tendências em Cibersegurança para 2026

O cenário de 2026 traz desafios e oportunidades. A IA ofensiva redefine o grau de sofisticação dos ataques, automatizando invasões e explorando brechas em alta velocidade. Ransomware permanece como uma das principais ameaças, agora integrado a vetores cripto e projetos DeFi.

No Brasil, o Marco Legal Cripto (Lei 14.478/2022), resoluções do Banco Central e a PEC de Segurança Cibernética reforçam o ambiente regulatório, exigindo maior conformidade das exchanges e serviços de custódia.

Entre as tecnologias emergentes, destacam-se:

  • Criptografia pós-quântica, para proteger wallets e provas de conhecimento zero;
  • Zero Trust, essencial para corretoras e plataformas DeFi reguladas;
  • Honeypots e observabilidade on-chain, visando rápida detecção de invasões.

Analistas projetam gastos globais em cibersegurança de US$ 240 bilhões em 2026, reflexo da necessidade de defesa contra ameaças crescentes e complexas.

Medidas de Proteção e Melhores Práticas

Para proteger seus ativos e minimizar riscos, adote as seguintes recomendações:

  • Priorize hardware wallets em armazenamento frio, aplicando o princípio “not your keys, not your coins”.
  • Autenticação de dois fatores via hardware ou apps dedicados, evitando SMS.
  • Mantenha monitoramento on-chain é fundamental para segurança, analisando métricas como MVRV, NUPL e hashrate.
  • Implemente DCA (dollar-cost averaging) para lidar com a volatilidade e foque na escassez do Bitcoin.

Além disso, realize auditorias regulares em contratos DeFi, evite hot wallets expostas e utilize ferramentas de rastreamento para transações suspeitas.

Perspectivas para o Brasil

Em 2025, o Brasil enfrentou 315 bilhões de tentativas de ciberataques, concentrando 84% das investidas na América Latina. A consolidação do Marco Legal Cripto e investimentos em tecnologia são fundamentais para elevar a maturidade digital do país.

Empresas e investidores devem se preparar para um ambiente cada vez mais regulado e competitivo, aproveitando as oportunidades geradas pelo crescimento do mercado e pelas inovações em segurança.

Por fim, reforçamos que maturidade digital e regulamentação robusta caminham lado a lado, criando um ecossistema de criptoativos mais seguro, confiável e sustentável.

Lincoln Marques

Sobre o Autor: Lincoln Marques

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