As moedas digitais de bancos centrais representam uma nova fronteira para o sistema financeiro global. No Brasil, essa inovação encontra-se no Drex, a versão digital do real.
Ao longo deste artigo, exploraremos em detalhes a definição, o propósito, o cronograma, as características técnicas e os impactos esperados do Drex. A proposta é oferecer ao leitor informações práticas, inspiradoras e fundamentadas para compreender essa revolução monetária.
Definição e Conceito de CBDCs
As moedas digitais emitidas pelo Banco Central (CBDCs) são representações eletrônicas de moedas fiduciárias, garantindo paridade total com o dinheiro em papel. Diferentemente das criptomoedas privadas, o Drex terá respaldo legal, supervisão regulatória e permitirá transações com garantia de liquidação instantânea.
Esse modelo busca conciliar a inovação tecnológica com a estabilidade financeira, criando um ambiente em que cidadãos, empresas e instituições financeiras possam operar com transações mais rápidas e seguras.
Objetivos e Transformações do Projeto Drex
O Drex surgiu com o objetivo principal de modernizar o sistema financeiro brasileiro, introduzindo funcionalidades como valor programável, contratos inteligentes e tokenização de ativos. Em sua concepção inicial, usaria blockchain para registrar cada transferência e garantir imutabilidade.
No entanto, em novembro de 2025, o Banco Central optou por um recuo estratégico, definindo o Drex como uma infraestrutura de liquidação e contratos inteligentes, sem ser uma moeda digital de circulação massiva imediata. Segundo Breno Lobo, chefe-adjunto do Departamento de Competição do BC, trata-se de um projeto que alia inovação e prudência.
Cronograma e Fases de Implementação
- Primeira fase (2025): Testes de privacidade e segurança em ambiente controlado.
- Segunda fase (2026): Lançamento restrito a instituições financeiras, cartórios e corretores.
- Fase futura (após 2026): Implementação de blockchain, tokenização e contratos inteligentes.
O foco inicial será a reconciliação de garantias de crédito, permitindo que bancos verifiquem se um bem já foi usado como garantia em outra instituição.
Características Técnicas e Operacionais
Na primeira etapa, o Drex operará sem blockchain e sem tokenização de ativos, integrando-se ao Pix e ao Open Finance em fases futuras. Cada transação será registrada em um sistema centralizado, mas com capacidade para incorporar contratos inteligentes.
Os usuários finais acessarão o Drex por meio de carteiras digitais oferecidas por bancos e demais instituições autorizadas. O valor em reais será depositado na conta tradicional e convertido em Drex durante a transação.
Benefícios Esperados
- Inclusão financeira para microempreendedores ao reduzir custos e eliminar a necessidade de máquinas de cartão.
- Redução de custos operacionais e transacionais para empresas e instituições, otimização de processos.
- Verificação de garantias de crédito em tempo real, aumentando a segurança das operações de empréstimo.
- Pagamentos instantâneos e programáveis, abrindo espaço para novas soluções de cashback e subsídios automáticos.
Desafios na Adoção
- Segurança cibernética e privacidade de dados devem ser plenamente asseguradas.
- Conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e demais regulamentações.
- Padrões de interoperabilidade entre bancos, fintechs e consórcios participantes.
- Supervisão de contratos inteligentes e definição de responsabilidades legais.
- Educação financeira e divulgação de usos seguros para evitar desinformação.
Contexto Global e Comparação Internacional
Mais de 130 países pesquisam ou desenvolvem suas próprias CBDCs. A China, por exemplo, testou o Yuan Digital desde 2020. Apenas cinco nações avançaram para fases mais maduras, e o Brasil segue entre as pioneiras na América Latina ao manter um plano de ação conservador e bem estruturado.
Regulamentação e Ecossistema de Criptoativos
Paralelamente ao Drex, o Banco Central publicou a Resolução nº 519, que disciplina serviços de ativos virtuais, entrando em vigor em fevereiro de 2026. Essa medida reforça o compromisso do Brasil em regulamentar a inovação tecnológica, oferecendo segurança jurídica e transparência ao mercado.
Perspectivas Futuras e Conclusão
O Drex promete ser um marco na transformação digital do sistema financeiro brasileiro. Ao equilibrar inovação e segurança, o Banco Central pavimenta o caminho para pagamentos instantâneos, contratos automatizados e tokenização de ativos, sem abrir mão da estabilidade econômica.
Embora o lançamento inicial seja conservador, as fases posteriores poderão liberar todo o potencial tecnológico. A comunicação clara, o engajamento dos cidadãos e a colaboração entre governos, instituições e sociedade civil serão fundamentais para aproveitar ao máximo essa oportunidade histórica.
Em suma, o Drex representa a evolução do real e um passo significativo rumo a um futuro em que cada transação seja mais rápida, transparente e acessível a todos.
Referências
- https://feebsc.org.br/banco-central-confirma-que-o-brasil-tera-uma-nova-moeda-em-2026/
- https://g1.globo.com/economia/noticia/2025/11/10/drex-banco-central-desiste-da-moeda-digital-brasileira-mas-levara-adiante-infraestrutura.ghtml
- https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2025/01/08/senado-trabalha-para-viabilizar-o-drex-moeda-digital-brasileira
- https://www.ecommercebrasil.com.br/artigos/drex-e-bitcoin-o-que-esperar-do-futuro-das-moedas-digitais
- https://www.cofeci.gov.br/post/banco-central-encerra-o-projeto-do-drex-o-real-digital
- https://www.youtube.com/watch?v=6WJWQkk1y-A
- https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2025-11/banco-central-estabelece-regras-para-o-mercado-de-criptoativos
- https://www.bcb.gov.br/detalhenoticia/20918/nota
- https://www.bcb.gov.br/detalhenoticia/21016/noticia







